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Filho de Bubka dá salto no tênis e
fala como o pai: 'Sempre mais alto'
Aos 24 anos, jovem ucraniano venceu pela primeira vez em um Grand Slam
Por Alexandre Cossenza e Marcos Peres
Direto de Nova York
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Ele jogou seu primeiro torneio profissional há oito anos, quando tinha 16. Hoje, ainda viaja pelo planeta competindo em eventos pequenos atrás de experiência e pontos. Só agora, aos 24, conseguiu disputar seu primeiro Grand Slam. O jovem de olhos verdes e 1,88m de altura que entrou na sala de entrevistas número 2 do US Open nesta quinta-feira poderia ter para contar apenas mais uma história de tenista batalhador - um dos mais de mil listados semanalmente pela ATP. A não ser por dois nomes escritos em sua credencial: Sergei Bubka.
Sergei Bubka, o tenista, filho do recordista mundial do salto com vara (Foto: AP)
Não foi erro do torneio. Tampouco esqueceram de digitar "Jr." ou "II" no documento. Embora o nome do pai, o lendário atleta do salto com vara, tenha ficado famoso com a grafia "Sergey", com "y" no fim, Sergei, o filho, carrega o exato nome de seu pai em ucraniano, seu idioma nativo. E torna-se uma atração em torneios pequenos assim que jornalistas descobrem sua presença no evento. O rapaz nem sempre gosta do assédio.
O que lembro mais é que ele diz: 'Se você pode ganhar de si mesmo, pode ganhar de qualquer um'."
Sergei Bubka
O que lembro mais é que ele diz: 'Se você pode ganhar de si mesmo, pode ganhar de qualquer um'."
Sergei BubkaNos Grand Slams e torneios mais importantes, no meio de nomes como Djokovic, Federer, Nadal e Sharapova, Bubka tem a paz que gosta. Não foi bem assim neste US Open. Pela primeira vez na carreira, o ucraniano nascido em Donetsk passou por um qualifying e ganhou um jogo na chave principal. Só parou diante do mais experiente Jo-Wilfried Tsonga, 11º colocado no ranking mundial. A procura dos repórteres, desta vez, não incomodou.
- Eu perdia na primeira rodada de uns torneios e tinha atenção dos jornalistas. Eu entendia que não era por minha causa, mas pelos feitos do meu pai. Porém, quando você perde às vezes quer ficar em paz. Eu só posso dizer que tenho muito orgulho do meu nome. Agora estou acostumado e não há nada a fazer - disse, com um sorriso.
Bubka, o filho, conta que a escolha pelo tênis foi natural. Com sete anos, sua mãe o levou para fazer algumas aulas em Donetsk. O esporte ganhou seu carinho, mas a falta de quadras na cidade impediu o menino de levá-lo a sério. Pouco tempo depois, contudo, a família se mudou para Mônaco, onde o pequeno Sergei pôde, enfim, praticar à vontade.
- Nunca conversamos sobre o que eu queria fazer. Uns anos atrás, eu comecei a entender que ele ficou feliz de eu não ir para o salto com vara porque eu seria comparado diretamente. Não é como no tênis. No salto, são centímetros. Se eu pulo 5,80m, todo mundo vai dizer: "Você é 35 centímetros pior do que seu pai". Seria muito difícil ficar na sombra dele. Talvez eu batesse suas marcas, mas (a escolha pelo tênis) não é algo que eu me arrependa de fazer.
Grand Slam em uma chave principal (Foto: EFE)
O tenista já está graduado em responder perguntas sobre a relação com pai e brinca, sem reclamar, quando ouve uma questão repetida. "É uma pergunta que me fazem bastante", diz, sempre sorrindo. E emenda, dizendo o melhor conselho que já recebeu do pai.
- É difícil dizer porque todas as coisas que ele diz são bons conselhos, mas provavelmente o que lembro mais é que ele diz: "Se você pode ganhar de si mesmo, pode ganhar de qualquer um". É verdade. Há dias em que é difícil, você está cansado em um treino ou um jogo, mas se você se esforça consegue alcançar algo grande.
A eliminação no US Open não o deixou mal humorado. Pelo contrário. O jovem Sergei passa a maior parte do tempo feliz em contar histórias sobre o pai, o lendário atleta que quebrou o recorde mundial do salto com vara 35 vezes e detém a maior marca da modalidade desde 1984 (o atual recorde, de 6,14m, foi estabelecido por Bubka em 1994).
Sergei diverte-se ao dizer que os dois jogavam futebol e ri quando questionado se Sergey, o saltador, era bom no esporte: "Ele era muito forte e rápido, então em um campo grande ele podia correr e chutar muito forte". Os dois também jogam tênis até hoje, mas o filho garante que ninguém anota o placar dos jogos.
Perder para Tsonga, o jovem Bubka assegura, fez bem. Mostrou suas dificuldades, seus pontos fracos. Ele acredita que precisa ser mais agressivo em quadra e subir mais à rede. Afirma também que tem uma meta bastante clara. Mas só por enquanto. E termina a conversa falando como um digno herdeiro de um saltador.
- Com 24 anos, eu não estou entre os 200 do mundo. Não é onde eu quero estar. Meu objetivo, no momento, é entrar nos 100. Se eu conseguir, acredito que vou estabelecer novas metas. Não quero nunca me acomodar. Na vida, é importante querer ir sempre mais alto.
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